quinta-feira, 15 de abril de 2010

Capítulo 4 - *Humilhações:

Eu observei a todos depois que eu terminei de contar minha pequena história. Não foi bem a reação que eu esperava. Eles estavam em uma espécie de transe temporário. Eu encarei a Moira que ainda estava em silêncio. Jeremi olhava o chão com um sorriso divertido no rosto. Ele parecia estar alheio ao mundo externo, como se pensasse em algo engraçado que só ele sabia. Típico do Jeremi. Então eu olhei para Celina e o Sam. Eles me encararam de volta.

- Por causa do cabelo? – Celina me perguntou meio aérea.

- Você ta no segundo nível, por causa do seu cabelo?! – Sam completou.

- Bem... eu acho que sim. – eu disse um pouco sem graça.

- Também não é o fim do mundo ficar no nível dois. Ta que o motivo é meio. . . burro, mas acontece – Jeremi interveio por mim – É como se fosse pra tirar a carteira de motorista, sabe, não passou só porque esqueceu de colocar o sinto de segurança ou quando...

- Ta eu entendi, Jeremi – eu disse um pouco impaciente. Ele não estava ajudando muito aqui.
Foi nesse momento que a Moira se expressou.

- Você ta no segundo nível porque esqueceu de prender seu cabelo em um coque!? – ela perguntou um pouco divertida e histérica.

- Moira, eu acho que respondi essa pergunta...
Eu vi a Moira se contorcer e soltar uma gargalhada. Uma gargalhada alta e estridente. Ela me olhou mais um pouco e riu mais.Grande amiga!

- Dá pra parar – eu disse envergonhada – ta todo mundo olhando, Moira.

Ela se forçou a parar. O que não adiantou muito, já que ela ainda soltava alguns risinhos.

- Eu vou ter que contar isso pra Juh – ela disse com a maior naturalidade – Claire, eu não sei se você é atrapalhada ou burra mesmo.

Ela disse se levantando e levando a bandeja de refeição com ela.

- Ainda bem que agora é treino, se não eu passaria mais duas horas curtindo da sua cara – ela bateu no meu braço. Eu a encarei enfurecida – Pra falar a verdade eu to quase com dó de você. Menina, o Lucius vão esfregar isso na sua cara, e de todo o Instituto, durante meses.

É. Eu sei disso.

- E aí, vocês vêm ou não? – Moira disse pra Celina e pro Sam. Eles ainda estavam olhando um pouco incrédulos para Moira. Eles assentiram e levantaram sem graça da mesa. Eles olharam pra mim e pro Jeremi e acenaram se despedindo.

- Até mais, Claire – Sam disse.

- Tchau amiga. – Celina me olhou com um pouco de dó.

- Tchau – eu disse sem graça.

-Ah! E boa sorte com Jeremi, Claire – Moira disse. Eu direcionei um olhar você-vai-ver-no-dormitório pra ela. E ela simplesmente riu.

Eles saíram de perto da mesa e foram pra porta que dava pro corredor. Diferente de mim e do Jeremi que estávamos a pouco tempo no instituto, Celina, Sam e Moira estavam há mais tempo e por isso estavam no nível quatro. Enquanto eles iam pro ginásio treinar com Lucius autodefesa, eu e Jeremi íamos a outra parte do Instituto treinar com espadas e instrumentos-pontudos-que-eu-não-sabia-o-nome.
Passado alguns segundos, Jeremi envolveu seus braços envolta dos meus ombros, tentando um tipo de abraço.

-Não liga pro que ela falou. – ele falou meio fanho. Eu olhei pra ele divertida. Jeremi era assim, sempre sem noção e engraçado, mas evidentemente nem um pouco burro. Ele me apertou mais um pouco aproveitando da situação. Eu bati em uma de suas mãos e empurrei seus braços pra longe.

- Eu acho que já ta na hora do nosso treino, Jeremi – eu disse segurando o riso.

-Você tem certeza disso? – ele me perguntou com cara de inocente – porque eu posso passar algum tempo te consolando, se você quiser.

Eu encarei mais alguns segundos pra ver se ele estava falando sério. Bem, pareci que sim. Eu me levantei e puxei um dos braços do Jeremi, o levantando também.

- Já basta eu estar no segundo nível por causa do meu cabelo. Eu não quero chegar atrasada no meu primeiro treino, Jeremi. –eu disse séria.

- Ta, eu já entendi. – ele disse aborrecido.
Ele segurou em minha mão e puxou pro lado da porta do corredor. Eu segurei em seu braço e andei, tentando seguir o seu ritmo. Só a alguns passos e eu teria o meu primeiro treino.


******


Eu encarei o mural pela décima vez.

Aula conjunta hoje no ginásio principal.

Lucius.


Eu e Jeremi passamos quase dez minutos no pátio externo, perto do jardim- onde sempre ocorriam as aulas de espada- até sermos informados que não haveria aula com Irial hoje e sim com o Lucius. E pior aula conjunto, com todos os níveis. Eu tive que olhar o mural de recados pra confirmar, o que fez eu e Jeremi atrasarmos para o treino.
Jeremi abriu a porta dupla com facilidade. Todos os olhares caíram sobre nós.Eu precisava urgentemente pegar minha roupa de treino. Eu senti o Jeremi se endurecer ao meu lado. Ele não parecia o tipo que se envergonha fácil - eu pensei.

- Eu só vou trocar de roupa – ele me disse antes de se virar e ir pro vestiário. Eu pude notar que ele olhou pro lado e meio que correu depois. Eu voltei a olhar pro meio do ginásio e . . . E lá estava o Lucius me encarando de novo. Agora eu sabia por que o Jeremi saiu correndo. Covarde.

- Claire – Nesse momento todo mundo olhou pra mim. Bendito short de malha! – Você poderia vir até aqui?

Eu pude ver a Moira cochichando com alguém e rindo. Até mesmo Sam e a Celina estavam rindo. Eu simplesmente não respondi e fui em direção a ele. Eu sabia que ele me humilharia agora. Bem, eu daria as duas faces pra isso. Eu cheguei ao centro do ginásio olhando fixamente o Lucius, ele apenas sorriu.

- Podem se sentar agora – ele disse. Eu olhei um pouco confusa pra ele, mas segui suas ordens. Antes que eu desse o segundo passo ele segurou meu braço.

-Você não! – ele foi curto e seco. Eu apenas olhei em seus olhos. Eu tentei sair do aperto das suas mãos, mas ele simplesmente me manteve ali. Eu olhei para os demais da sala, que pareciam tão confusos quanto eu.

- Observem bem esta iniciante – ele disse um pouco mais alto – Hoje no seu teste inicial ela além de se vestir assim – ele me olhou novamente e voltou a olhar a turma – não prendeu seu cabelo.

Eu franzi minha testa e o olhei novamente. Ele ainda segurava meu braço com força, parecendo um pouco nervoso e decepcionado. Eu voltei a olhar os outros e percebi que Jeremi voltava pra quadra já vestido. Jeremi parecia mais confuso do que eu. Eu baixei meus olhos tentando evitar as lagrimas que se juntavam.

- Você esta dispensada hoje, Claire. Pense melhor nos seus atos – Ele disse mais baixo para que só eu ouvisse. Eu puxei meu braço da sua mão e marchei até a porta do ginásio. Eu pude ouvir os sussurros depois que eu fechei a porta atrás de mim. O quê aquele imbecil pensava que ele era pra me tratar daquela forma?

Bem, ele não me trataria mais assim.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Capítulo 3 - *Segredos:

Eu encarei a quadra vazia enquanto as palavras do Lucius ainda martelavam em minha cabeça. Da próxima vez, Claire, prenda seu cabelo em um coque. É mais seguro. O quanto idiota eu tinha sido. Eu poderia ser nível três ou até mesmo quatro se não fosse pelo meu maldito cabelo. Eu tinha visto, dia a dia, as meninas que tinham o cabelo mais longo prendendo-os fortemente em um coque, pra que isso que tinha acontecido comigo não acontecesse com elas.
Eu me sentei ao lado dos meus tênis e olhei o vazio enquanto as lagrimas embaraçavam minha vista. Imbecil, eu era uma imbecil. Eu tinha visto, tanto a Moira quanto a Celina, repetindo esse ritual todos os dias antes de sair do dormitório e mesmo assim eu tinha prendido meu cabelo em um rabo-de-cavalo. Talvez fosse pelo habito, eu pensei. Fora dali eu nunca tinha me preocupado com amarrar meu cabelo, pra falar a verdade eu odiava amarrá-lo. Enquanto eu vivia no orfanato a única preocupação que eu tinha era parecer normal, assim como as outras crianças. E o fato de deixar meus cabelos soltos me ajudava nisso, ajudava a esconder meus olhos e das coisas que eu via. Agora o simples ato de não prende-los me estava fazendo chorar.
Eu enxuguei minhas lagrimas e me dentei no chão frio tentando me desfazer desses sentimentos melancólicos. Pelo menos não foi tão ruim assim. Se eu continuasse assim talvez eu estivesse no nível quatro em pouco tempo. Eu poderia contar a Moira que tinha acertado o Lucius, ela iria pirar. E provavelmente rir por ter sido resignada ao nível dois por causa do meu cabelo. Ela riria ainda mais por eu estar no mesmo nível que o Jeremi. É, pelo menos seria mais engraçado passar um tempo com o Jeremi. Eu podia ver nitidamente o rosto da Celina de decepção. Não por minha causa e sim por ela mesma não ter me lembrado disso antes do teste. Pelo menos eles não estavam aqui pra ver isso. No dia em que Sura não tinha permitido nem a Celina e a Moira pra vir ao meu teste eu tinha ficado um pouco triste. Agora eu a idolatrava por não permitir as meninas de faltarem às aulas de filosofia.
Eu ri e me virei pro lado da parede de vidro que separava a quadra das piscinas olímpicas. Eu senti uma pequena dor atingir meu braço, então eu lembrei do chute que o Lucius tinha me dado. Isso demoraria no mínimo uma semana pra sarar e até lá eu estava sujeita a lembrar o que tinha ocorrido. Pensa pelo lado positivo - eu pensei ironicamente – você não precisa de um machucado pra lembrar dessa humilhação, o Lucius vai se encarregar disso diariamente durante os treinamentos. Eu sorri secamente ante esse pensamento.


******

- Claire... Claire. Oieee...
- Acorda Claire!

Eu ouvi uma voz nitidamente irritante que eu reconheci que era da Moira. Logo algo ou alguém balançou meus ombros.

- Claire, acordaaaa!

- Eu to acordada, porra! – eu disse sonolenta.

- Também não precisa xingar, Claire! – essa voz só podia ser da Céu.

- É, eu to percebendo mesmo. Agora da pra abrir os olhos, levantar e falar alguma coisa coerente. Alem de xingar, é claro. – Moira me disse me balançando mais ainda.

Eu me desvencilhei do aperto dela e me sentei. Me espreguicei e encarei os quatro principados que estavam a minha frente. Dois eu já tinha reconhecido antes mesmo de acordar, Moira e Celina. Os outros dois, bem, eram meio fácil de adivinhar. Jeremi estava vestindo uma blusa branca com gola em forma de v, um jeans azul-escuro e um all-star preto. Eu sorri pra ele quando ele me olhou, eu ainda teria que me acostumar com aquele sorriso ou com seu cabelo castanho-claro que teimava em ficar amaranhadamente lindo. Assim como a Celina, ele também tinha covinhas. Eu contive o riso. Ele era o tipo garotodosonhos, então era meio difícil não rir.
Eu olhei pro Sam, que estava de mãos dadas com a Céu. Ele estava com uma regata branca que destacava sua pele morena, usava calças pretas largas e uma havaina. Seu sorriso era ate mais bonito que o do Jeremi. Na primeira vez que eu os vi, eu me perguntei por que eles sempre eram tão lindos e peculiarmente cada um a sua maneira. As respostas vieram nas aulas de filosofia.
Cada Principado tinha um dom que fora dado por Deus durante suas gestações, suas mães foram tocadas por uma divindade que os concediam um dom. Com isso eles de certa forma ‘herdavam’ os dons dos anjos que suas mães foram tocadas, e conseqüentemente, essa beleza. Não se sabe muito alem disso, pelo menos o Instituto não nos fala muito sobre isso. A coisa mais importante que eles recitam é que cada Principado foi escolhido com um único objetivo: proteger as Dominações e a humanidade. Mas isso era decidido pelo próprio principado que aceitava ou não a condição de treinar e proteger seu anjo. Na maioria das vezes era difícil pro Instituto localizá-los e por isso éramos em tão pouco número.

Eu encarei a Moira com raiva.
- O que vocês estão fazendo aqui?

- A pergunta correta é: o que você ainda esta fazendo aqui? Não era pra nós nos encontrarmos no refeitório na hora do almoço?

- Acho que é meio obvio porque eu ainda estou aqui. Eu dormi. – eu disse pra Moira que me encarava com raiva. Ela arfou em exaspero. Eu encarei a Moira pela décima vez. Ela estava com raiva de mim? A única que tinha que estar com raiva aqui era eu.

Eu me levantei e olhei secamente.

-Ah! Agora lembrei o porquê deu estar aqui – eu disse e deu um beliscão no braço dela. Foi meio infantil, mas valei à pena.

- Ai! Você ta louca? – ela me olhou com reprovação.

Eu pude ver o sorriso crescer no rosto do Sam enquanto a Celina cruzava os braços e rolava os olhos.

- Dá pra parar com isso – o Jeremi disse meio rindo, meio sério – e vamos ao que importa.Como foi com o Lucius?

- É, como foi com o Lucius? – Celina repetiu ansiosa.

- Jeremi pode me dar os parabéns, por que eu sou sua nova colega de turma. – eu disse ironicamente.

Ele riu.
- Sério?

Eu assenti tristemente. Mas não foi bem a reação do Jeremi. Ele me abraçou e beijou minha bochecha. Enquanto o resto me olhava com certo desapontamento, ele ainda me abraçava. Ele me soltou e me olhou de cima a baixo.

- Como eu te amo agora – eu tive que sorrir com essa declaração – mas mesmo assim a gente vai ter que repassar umas dicas de moda. Eu posso ser um menino, mas tenho mais senso que você...

- Cala boca – eu disse tentando disfarçar o sorriso. Eu me soltei dele e calcei minhas meias e tênis. Depois fui em direção a porta do ginásio, passando pela Moira, Celina e Sam.

-Ei, espera ai, colega de turma – Jeremi gritou e me alcançou enquanto eu andava. Ele rodeou minha cintura com uma mão e andou ao meu lado. Eu pude ver que o resto fez o mesmo e nos seguiu.

- Ta, segundo nível, eu entendi – a Moira disse meio incrédula – Agora me diz como você ficou no mesmo nível do imprestável do Jeremi. Como? A gente treinou durante dois meses e eu posso comprovar que você é melhor que o Jeremi.

- Oooh, eu ainda to aqui – Jeremi disse ofendido e olhando de esguelha pra Moira.

-É, conte sobre os detalhes – a Celina disse agarrada no braço do Sam.
Sam riu e disse divertido:
- Precisamos de detalhes, Claire.

Eu rolei os olhos. Eu pensei na melhor forma de contar pra eles, mas não havia uma melhor forma. Passamos pelas salas e chegamos ao imenso refeitório que tinha no Instituto, mas conhecido como salão de festas. Normalmente era ali que ocorriam os eventos de iniciação e encerramento. E raros casos festas. Diariamente ele era conhecido por nós como refeitório mesmo.

- Agora eu preciso comer. – eu disse saindo do braço do Jeremi. Aqui foi uma forma clara de mudar de assunto, o que todo mundo percebeu, mas não adiantou muito. Eu pude sentir Celina e Moira me seguindo enquanto Jeremi e Sam se sentavam em alguma mesa. Diferente dos meninos que sabiam que de uma forma ou de outra eu teria que falar, as meninas não esperariam tanto. Bem eu não as culpo, já que eu faria o mesmo.
Eu peguei a bandeja e entrei na fila. Moira e Celina fizeram o mesmo.

- Eu preciso comer?! Sério? – Moira disse irritada.

Eu ignorei.

- Claire, o que aconteceu? – Céu disse toda preocupada. Eu tive que rir de toda aquela irritação e preocupação. Moira apenas me encarou. Celina bufou.

- Eu acho que agora eu posso falar pro Lucius quem pegou a garrafa de água dele – Céu disse. Eu e Moira a encaramos. Ela estava me chantageando? Eu a encarei por um tempo. É, ela estava.

-Eu só roubei aquela garrafa porque num sonho doentio de fraternidade eu tinha que realizar umas provinhas que vocês escolheram pra eu poder ser aceita no dormitório.

- E você acha que ele vai acreditar em você?

- E também, a gente te obrigou a fazer alguma coisa? – Moira falou entrando no joguinho da Céu.

Eu olhei pra duas, desconcertada.

- E talvez o Jeremi e o Sam queiram saber o que aconteceu com as cuecas deles. – eu retruquei.

- Fala baixo, Claire – Celina me reprovou – não foi à gente que roubou, foi você!

-E sou eu que as guardo na gaveta ou coloquei na escrivaninha do Irial só pra humilhar alguém, an? – eu disse um pouco mais alto.

- Pelo menos eu não guardo uma garrafa dentro do meu guarda-roupa e a idolatro toda noite antes de dormir! – Moira me disse mais irritada
Eu apertei os lábios e refleti que isso não ia chegar a lugar algum.

- Ta bom, eu conto, mas pelo menos eu posso colocar minha comida – eu sinalizei para fila que tinha crescido consideravelmente durante nossa discussãozinha.

Moira e Celina assentiram enquanto caminhavam pra colocar suas comidas assim como eu. Depois de colocar nossas comidas, eu procurei os meninos que estavam sentados em uma mesa no canto esquerdo do salão. Caminhei ate a mesa e sentei. Dois segundos depois as meninas se sentaram do meu lado.

- Pronto. Agora conta. – Jeremi falou todo animado.

Respirei fundo e expliquei tudo o que tinha acontecido.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Capítulo 2 - *Sentidos:

Lucius. Ele parecia o mesmo que eu vi há sete anos. Com uma única diferença: suas asas.
Elas não estavam mais no mesmo lugar, atrás da suas costas. Depois de vários anos vendo-as, não vê-las mais me fazia sentir agoniada e triste. Elas tinham um esplendor que eu nunca poderia descrever inteiramente, era como se tivesse vida e de uma forma diferente das outras. Desde que eu cheguei ao Instituto às únicas asas negras que tinha visto eram as da Sura e mesmo assim não eram como as do Lucius. Agora eu nunca mais poderia ver elas novamente.
As únicas explicações que eu tive sobre isso era que ele havia desistido da sua divindade para ficar e treinar no mundo humano. Treinar de uma forma ‘igual e justa’ entre humanos não me parecia à desculpa certa para o que ele tinha feito. Ele tinha desistido da sua forma angelical fazia três anos, o que me fez pensar que, indiretamente, eu estava ligada a sua escolha.
Eu encarei o chão tentando me livrar desses pensamentos, agora não era uma boa hora pra me lembrar do meu incidente. Eu ainda estava parada em frente à porta do ginásio esperando que ele me chamasse. Ele não me chamou.
Eu ouvi a porta atrás de mim ser aberta. Olhei para trás e encontrei Moira e Celina me encarando. Celina estava me olhando como se me incentivasse a seguir em frente. Eu sorri pra ela. Já Moira parecia impaciente, com seus olhos marrom-escuros me olhando e uma sobrancelha erguida. Foi nesse momento que eu percebi que talvez, eu estivesse muito tempo parada na frente da porta tendo meus devaneios. Eu ri sem graça e amaldiçoei aquela porta dupla por ter uma janela de observação.

- Pensa pelo lado positivo, Claire. Pelo menos você vai ter oportunidade de ter um ‘corpo-a-corpo’ com o Lucius. - Provavelmente a Moira percebeu no que eu estive pensando durante aquele tempo e me disse aquilo.
Eu senti meu rosto esquentar e a raiva se alojar em mim. Eu ainda vi Moira segurando o riso enquanto a Celina a cotovelava sem graça. Eu meditei seriamente em ir lá e socar ela, mas ai já era tarde de mais, elas já tinham fechado a porta. E mesmo assim eu ainda ouvia os risos da Moira atrás da porta. Aquela...

Eu apertei minhas mãos em punhos e fechei os olhos. Talvez ele não...
Eu me voltei para o centro do ginásio e o olhei. E lá estava ele. Ele usava uma calça de moletom cinza com rajadas negras na lateral, uma regata preta – que incondicionalmente deixava seus contornos mais visíveis sob a pele branca, principalmente seus braços – e como sempre estava descalço. Ele parecia mais alto e até mais presente nessa quadra vazia. Eu olhei em seu rosto e pude perceber o meio sorriso que ele direcionou pra mim. Eu apertei meus lábios.

Ta, como se ele realmente não pudesse ouvir o que a Moira tinha dito. Droga.


Mesmo desistindo da sua divindade, o ‘bônus’ que vinha com ela não tinham desaparecido. Ele ainda era tão rápido e tão forte quando ele tinha asas. Ainda tinha sua super audição e sabia lidar com uma espada como ninguém. Havia vários treinadores com as mesmas habilidades, como Irial, mas isso não os fazia como Lucius. Ele era o melhor entre eles, talvez por ser o mais velho ou talvez por ser igual a mim. Ou os dois.
Eu andei em sua direção sem desviar meu olhar do dele. Eu podia ver a pequena mancha marrom em seu olho esquerdo. Diferente de mim que tinha cada olho de uma cor, ele tinha apenas aquela pequena mancha marrom-avermelhada em seu olho azul. O que os humanos chamavam de heterocromia, o Instituto chamava nós de Blind.
O seu pequeno sorriso se desmanchou quando cheguei mais perto. Ele tinha os braços cruzados em suas costas e o olhar sério. Eu sabia o que ele estava tentando fazer aqui, me intimidar, mas isso não daria certo. Eu ergui minha cabeça mais um pouco e parei em frente a ele. O encarei, mostrando que não estava insegura ou com medo. Eu não daria esse gostinho a ele.
Ele arqueou uma das sobrancelhas quando percebeu minha intenção, mas não riu de mim ou tentou mostrar quão ingênua eu era. Apenas me encarou com indiferença. E era esse gesto que sempre me matava por dentro. Era como se tudo que eu vivenciei, o quanto tudo aquilo significava pra mim, não fizesse a menor diferença para ele. A raiva que eu senti quando Moira brincou comigo não era o triplo da que eu sentia agora.
Seus olhos se desviaram dos meus e eu o senti olhando toda a dimensão do meu corpo, me avaliando. Nesse momento eu não agüentei e olhei para o lado, envergonhada. Mesmo sabendo que ele estava olhando minhas roupas e não a mim, como eu sempre fazia com ele.
Eu me xinguei mentalmente por não ter tido tempo de pegar a roupa de treinamento. Invés disso eu estava vestida com a única roupa da Moira que servia em mim. Infelizmente as roupas da Celina não cabiam em mim. Eu vestia um short de malha preto, que para o padrão do treinamento poderia ser considerado curto, tendo em vista que todos os membros sempre treinavam com calças de poliéster. Usava uma bata bege, meus cabelos ainda estavam soltos até minha cintura e eu usava um sneaker verde e azul que eu peguei emprestado com o Jeremi, que impressionantemente usava o mesmo número que o meu, 36. Nesse momento eu era a discrição em pessoa.

- Preparada? – ele voltou a olhar em meus olhos.
Eu cogitei em dar à mesma resposta que eu dei pra Celina, mas eu pensei melhor. Eu apenas assenti com a cabeça. Ele, então, me deu um sorriso claramente forçado. Idiota.

- Pelo o avanço da sua recuperação, eu projetei um teste baseado no modo ataque-defesa. Eu espero que você esteja de acordo comigo. – ele me falou isso mais como uma ordem e não uma pergunta. Logo eu fiz o que estava no meu alcance e assenti novamente.

Depois de assentir eu tentei lembrar o que a Moira tinha me dito sobre os treinos e o que ‘modo ataque-defesa’ deveria significar para mim. Foi aí que a ficha caiu.

Droga, droga, DROGA!

Diferente de todos os novos membros que passavam pelo teste inicial, em que o novato atacava e demonstrava suas habilidades, preferencialmente em um boneco de luta e raramente com um treinador, eu teria que lutar com o Lucius. Simplificando, ele me atacava e eu tentava me defender e contra-atacar. Bom isso era literalmente um ‘corpo-a-corpo’ com o Lucius, o que me fez pensar se a brincadeirinha da Moira não tinha interferido na suas decisões.

Eu vou matar a Moira quando eu sair daqui, isso se eu sair. AH!


Eu me forcei a me acalmar. Não era como se eu esperasse menos do Lucius, era por isso que ele era sempre o mais temido nos testes iniciais. Ele sempre exigia mais do novato, pra falar a verdade de qualquer um. Mas isso era diferente. Ele sempre preferiu que o aluno demonstrasse suas habilidades nele ao invés do boneco, mas ele nunca revidava. O que seria diferente do que aconteceria comigo agora.

-Podemos começar? – ele me perguntou com toda arrogância do mundo.

- Claro. – eu respondi no mesmo tom.

Eu prendi meu cabelo, com a liguinha que estava em meu braço, em um rabo-de-cavalo e tirei meu tênis e meias enquanto Lucius apenas observava meu ritual de preparamento. Coloquei meu tênis no canto do segundo circulo que ficava no centro da quadra e voltei ao meu posicionamento inicial. Separei meus pés a uma certa distancia e posicionei meus punhos perto do meu rosto, em modo de defesa.E fiquei esperando que ele me atacasse.
Ele apenas me olhava com divertimento.
Esse filho da p... O primeiro golpe veio sem avisar. Ele tinha vindo rapidamente a minha frente e tentado me acertar na parte esquerda com a perna. Eu me esquivei e impedi o chute com o braço esquerdo. Prontamente ele me socou com o braço direito e eu me desvencilhei abaixando. Aproveitando minha posição eu tentei dar uma rasteira, mas ele pulou facilmente e me acertou com o pé. Eu caí, porém levantei e tentei acertar sua barriga com um soco, o que ele impediu segurando minha mão e me puxando para ele. Nossos corpos se encaixaram e então ele tentou torcer meu braço e atá-lo as minhas costas. Eu desviei em um giro e o chutei na parte esquerda do tórax. Eu o acertei,
mas isso não o afetou. De repente ele estava do meu lado e então... Eu senti meu couro cabeludo queimar e meu pescoço arquear de dor, eu soltei um gemido e caí no chão. O próximo golpe foi para me mobilizar. Ele segurou minha duas mãos acima da minha cabeça e atou minhas pernas com o peso das suas. Ele me encarou e sorriu. Eu me mexi debaixo dele tentando escapar, mas não deu muito certo.

- Um... - Ele estava contando?! – Dois... Três... – Imbecil. Eu me debati mais tentando afrouxar seu aperto, mas isso só piorou - quatro... – Ele apertou mais minhas mãos – cinco.

Ele soltou minhas mãos e saiu de cima de mim. Eu senti algo queimar dentro de mim: humilhação e raiva. Eu me levantei rapidamente tentando disfarçar minha raiva, o que não foi fácil. Dessa vez eu cruzei meus braços atrás das minhas costas e esperei sua avaliação. Ele ainda me olhava com um sorriso no rosto, indiferente. Eu podia ver que ele estava contando o ritmo da minha respiração e avaliando meu autocontrole. Mais uma vez eu me forcei a me conter e parecer tão indiferente quanto ele. Lucius deu dois passos em minha direção e se aproximou. O que me fez levantar mais o rosto, comprovando o quanto mais alto que ele era de mim. Ele sibilou um sorriso maior.

- Nível dois. – ele se virou e se afastou. Eu o vi abaixando em um lado do circulo e pegando sua garrafa de água. Ele poderia não ser tão humano, mas ainda tinha suas desvantagens.

Eu o olhei fixamente e demonstrei meu descontentamento com sua decisão. Minha boca abriu e minhas mãos se ergueram lhe mostrando que eu não havia entendido sua conclusão. Eu esperava no mínimo o nível três.

Eu não tinha acertado ele?Isso não conta?

- Nível dois?! – eu perguntei incrédula.

- Talvez você tenha razão, Claire. Eu acho que me precipitei. Talvez o nível um seja a melhor opção.

Ele estava diminuindo meu nível? Dentro do Instituto havia cinco níveis de treinamento, o que demonstrava o quanto cada um estava apto para proteger sua Dominação, ou no termo mais usual, anjo. Indiferentemente de cada nível, uma pessoa poderia passar alguns meses ou anos em cada nível, isso só dependeria do desenvolvimento de cada. Em alguns casos, mesmo se chegando ao ultimo nível a pessoa não era destinado a proteger um anjo, isso só ocorria pela falta de aptidão ou comprometimento ou ate mesmo pela própria escolha do Principado, o que raramente acontecia.

- Não, nível dois esta ótimo – eu disse sarcasticamente.

- Claro que esta. – ele disse sério e então se virou e andou em direção a porta do ginásio.

Mas antes de sair da quadra, ele se virou e disse:

- Da próxima vez, Claire, prenda seu cabelo em um coque. É mais seguro.
Ele se virou e me deixou sozinha na quadra.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Capítulo 1 - *Laços:

Tudo havia mudado desde a ultima vez que eu o vi. Agora eu ia encará-lo novamente, mas de uma forma diferente. Eu me perguntava diariamente como aquilo havia acontecido e o por que. Tudo que via ou ouvia parecia fazer mais sentido agora, mas mesmo assim não fazia com que parecesse normal. Normal seria a ultima coisa que eu empregaria aqui.

- E aí, preparada?! – Celina me perguntou com preocupação.
No pouco tempo em que eu morava aqui Celina e Moira eram as únicas que não me encaravam com estranhamento. Eu ainda tinha um pouco de dificuldade de olhá-la sem me sentir confortável. Celina era o tipo de menina que irradiava ternura, com aquelas covinhas e seus olhos que sempre parecia sorrir me.

- Super! Eu e minha perna quebrada não víamos a hora. - eu disso em tom irônico.
Desde que eu sofri o acidente, ou melhor, minha primeira tentativa de assassinato, tudo parecia estar meio fora do lugar. Principalmente minha perna que tinha se quebrado em duas partes, pra ser mais exata.

- Pára de fazer drama, Claire! Já faz dois meses que sua perna sarou.

Essa era a Moira, sempre doce e compreensível. Eu a olhei por um momento com cara de espanto e fingindo me ofendida. Ela rolou os olhos.

- Se você ta dizendo – eu levantei as duas mãos teatralmente.

Celina desconsiderou todo o nosso teatrinho e continuou:

- Claire, eu não acreditei quando a Moira me disse que você tinha pegado o Lucius pro seu teste.
Nem eu - eu acrescentei mentalmente.

- É - eu disse com pouco animo.
Eu pensei sobre tudo que eu tinha passado e como tudo tinha acontecido, e irrefutavelmente Lucius sempre esteve envolvido. Agora, novamente, eu teria que encará-lo. E pior, eu teria que lutar com ele.

- Ta aí uma coisa que me faz acordar às oito horas da manha. – Moira me disse com um sorriso malicioso no rosto.
Ela tinha passado à semana inteira falando como seria terrível eu encarar o Lucius e como isso seria divertido. Mesmo que ela não pudesse estar lá pra ver.
Eu semicerrei os olhos. Que maravilha! Humilhação social era tudo o que eu mais queria pro café da manha.

- Talvez não seja tão ruim assim – eu disse. Mesmo sabendo que isso nunca seria verdade.

Moira riu:
- A ta. Vai nessa, vai.

- É melhor não subestimar o Lucius, Claire - Celina tentou suavizar as palavras da Moira.

Normalmente eu brincaria com elas pelo puto ‘apoio e credibilidade’ que elas estavam me dando, mas nesse caso eu sabia que elas estavam certas.
Nós andamos mais um pouco até o fim do corredor estreito e paramos em frente à porta do ginásio. A porta dupla parecia ser a única coisa aqui que não era do século XIII, pra falar a verdade o ginásio era a única parte do Instituto que não foi reformado e sim construído, com o objetivo de treinar os novos membros do Instituto.
Eu olhei novamente as portas. Assim como eu, as meninas ficaram em silêncio. Elas sabiam da responsabilidade que havia atrás dessa porta e como isso afetaria minha vida por aqui em diante. Eu respirei profundamente tentado afastar os maus pensamentos e relaxar. Bem, não deu muito certo.
Celina tocou meu braço suavemente tentado chamar minha atenção. Demorou alguns segundos até eu voltar à realidade e me virar para ela.

Ela me abraçou rapidamente e pegou em minhas mãos pra me reconfortar. Eu pude sentir através das suas mãos geladas e molhadas que ela estava tão preocupada e ansiosa como eu.
- Boa sorte, Claire. – ela disse ainda segurando minhas mãos.

- Obrigada, Céu. – a encarei mais um pouco e soltei minhas mãos das dela. Me virei pra Moira e observei como ela tentava parecer despreocupada e segura de si. E então ela me disse só o que ela poderia me dizer.

- Que sorte!? Sorte é para os fracos. Entra lá e acaba com ele.
E eu só fiz o que eu poderia fazer, eu ri.

Se fosse assim tão fácil.

Eu a abracei mesmo sabendo que ela reprovava o gesto. Como sempre eu estava exagerando tudo. Não era como se essa situação fosse vida ou morte.
Era só um teste afinal – eu tentei me acalmar. Então, porque eu me sentia tão desamparada?
Soltei-me dos braços de Moira e abri a porta dupla lentamente. E lá estava a resposta da minha pergunta. Lucius.

*Goodnight, Travel Well – The Killers.


E tudo que fica entre a libertação da alma
Essa carne e ossos temporários
E saber que está acabado agora
Eu sinto minha enfraquecida mente começar a perambular
Toda vez que você cai, e toda vez que você tenta
Todo sonho bobo, e toda compromisso
Cada palavra que você falou, e tudo o que você disse
Tudo o que você me deixou, vagueia em minha cabeça

E não há nada que possa falar
Não há nada que possamos fazer agora
E não há nada que possa falar
Não há nada que possamos fazer agora.


Introdução - *Lucius(Passos):

*Lucius(Passos):

Ele era consciente da presença de alguém no quarto. E sabia bem quem era. Seu cheiro agridoce do xampu, os passos fracos e alargados da sua sapatilha, o suave mexer dos lábios a cada passo que dava em sua direção. Mas ele não deixaria que ela percebesse que ele estava acordado. Ele queria saber qual seria o seu próximo passo.

Ele sentiu sua hesitação a beira da cama, cheirou seu medo, próxima demais - ele pressentiu. Mas já era tarde.

Ela se afundou em seu colchão, em cima do seu lençol, ao lado dele em um movimento lento e calculado. Ela quebrou distância com poucos movimentos. Primeiro suas pernas se encaixaram perfeitamente com as deles, mas sem se encostarem. Depois seu ventre de lado se contrapôs a sua barriga de bruços. E por ultimo sua face esquerda encostou no travesseiro dele para encará-lo.

Sua posição fez com que sua presença ficasse mais real para ele. A essência dela ia alem do agridoce, vinha com cheiro leve e marcante ao mesmo tempo – cheiro de tulipas, as flores que ela tanto gostava agora estava dentro dele, marcando e ferindo-o. Ele também podia sentir seus estranhos olhos cravando-se nele, estudando-o, comendo-o. Aqueles estranhos olhos azuis – apenas quem tivesse o privilegio de contemplá-los poderia notar a diferenciação das cores.

Mas o que o matava era o roçar dos longos cabelos negros dela na palma da sua mão, movimento simples e sem intenção, que o queimava sob a pele. Porém não mais do que ela fez em seguida.

Ela se afundou um pouco mais nele. Afundou uma das suas mãos no curto cabelo dele. Parecia contar os curtos tocos de seu cabelo raspado. Acariciava seu rosto com o movimento circular do pequeno polegar dela. Passava suavemente seu polegar sobre o lábio inferior dele, provocando-os mutuamente.

Ela captava cada pedaço dele e ele necessitava de cada pedaço dela. Ela sentiu o peso da necessidade de ambos, ela precisava de mais.

Os dedos dela tremulavam quando escorregaram do alto da cabeça dele até sua nuca. Seu polegar acariciou o lóbulo da orelha dele. Ele estremeceu por dentro. O medo pulsou dentro dela, mas, então, ela fechou os olhos.

Ele sentiu sua aproximação, mas o êxtase o impediu de reagir. Ela se aproximou timidamente, com medo e hesitação. Apertou sua mão na nuca dele um pouco mais para que ele não fugisse mais. E o beijou.

Roçou seus lábios no dele como se experimentasse a pequena sensação do primeiro beijo. Sugou seu lábio inferior levemente com medo que o momento se quebrasse. Ele abriu a boca em instinto, ela aceitou como um convite. Ela o puxou para si um pouco mais, encaixou suas pernas as deles em movimento inconsciente. Beijou novamente seu lábio inferior mais fugaz. Ele retribuiu de forma suave. Isso a assustou.

Ela percebeu sua total consciência e se assustou. O medo cresceu dentro dela. Medo e confusão. Ela se desvencilhou dos braços dele e tentou escapar do quarto, mas já era tarde. Ele intercedeu antes mesmo que ela saísse da cama. Agarrou o seu pulso e a puxou para si. Ele ouviu claramente o grito abafado dela antes de atá-la embaixo dele.

Ele ainda segurava seus pulsos enquanto a encarava. Seu frágil corpo encaixava perfeitamente em baixo do dele. Seus olhos estavam grandes – cheios de medo e surpresa – ela não se debatia, nem se movia, apenas o encarava de volta. Sua respiração estava irregular e arrítmica. Ele sofreu em vê-la assim, mas não hesitou.

Ele se aproximou lentamente do rosto dela ate que ficassem a centímetros um do outro. Ela abriu a boca em instinto. Ele pode sentir o hálito quente que saia da boca dela. Encarou aqueles lábios por 5 segundos antes de encarar seus imensos olhos azuis. Ambos se perderam esperando palavras que não foram ditas.

Lucius encarou Claire por mais 2 minutos tentando entender o porquê desta situação. Não achou respostas, então se encheu de raiva. Raiva e dor o cegaram por um momento e o fizeram apertar os pulsos de Claire. Claire arfou de dor, mas não respondeu o ato. Ele ainda estava a poucos centímetros dela quando disse:

- Sai do meu quarto! AGORA!

Ela desviou seus olhos dos dele. A magoa e a dor não a deixava o olhar. Ela sentiu seus olhos se encheram de lagrimas. Ela saiu do quarto antes que ele as visse escorrerem.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Desculpaaa!

Sorry gente,mas eu só vou poder postar no final do mês.Eu estou num processo de vestibular,então eu tenho que manter o foco nele.
Então eu só vou poder postar no final do mês.Porém eu ja to quase terminando as ideias pro próximo cap.
bjooo e por favor esperem pelo proximo capitulo ;*